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Maria Fernanda Cândido celebra ‘O Agente Secreto’ no Oscar

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Ao atender a relação da reportagem, na tarde desta quinta-feira (22), Maria Fernanda Cândido estava eufórica. “Gente, tô muito feliz, tô muito feliz, tô muito feliz!” Poucos minutos antes, saíra a notícia da indicação de “O Agente Secreto” a quatro estatuetas do Oscar -melhor filme, filme internacional, direção de elenco e ator, para Wagner Moura.

Foto: Reprodução Instagram/Sarah Monecchi.

Cândido está no filme de Kleber Mendonça Fruto que se tornou sucesso internacional, dando vida a Elza, o contato secreto do protagonista interpretado por Moura.

A categoria de elenco foi criada nascente ano, para amnistiar diretores da superfície -no caso do filme brasílico, Gabriel Domingues. De certa forma, é uma recompensa para todos os atores e atrizes envolvidos no projeto.

“É muito formosa essa indicação”, diz Cândido. “É um trabalho interessantíssimo, para mim tão importante quanto qualquer outra superfície, porque você às vezes tem um roteiro maravilhoso, um diretor incrível, mas se não tiver o elenco muito contratado, pode perfazer perdendo o filme.”

A atriz nem tivera tempo de falar com Moura, que horas antes esteve com ela no Théâtre du Soleil, no dia do tentativa final da peça “Balada Sobre o Mistério” -“Ballade au-dessus de l’Abîme”, na versão francesa que entra em edital agora.

O ator passou rapidamente pela capital francesa, onde assistiu ao desfile da Dior na Semana de Tendência de Paris. Cândido mandou-lhe uma mensagem depois da indicação, mas ainda não tinha recebido resposta. “Ele está voando para Los Angeles, não sei porquê é que é, se tem internet nesse voo, se ele está sabendo ou não.”

Além da indicação, 2026 começou com a reestreia em Paris do seu espetáculo fundamentado na obra de Clarice Lispector. “Balada Sobre o Mistério” foi brevemente encenado em São Paulo, em duas curtas temporadas no ano pretérito. Sônia Rubinsky a acompanha ao piano, com obras de Heitor Villa-Lobos, Sergei Rachmaninov e Alberto Nepomuceno que remetem à nostalgia, sentimento vivido por Clarice, nascida na Ucrânia.

“Acho que estou colhendo frutos de sementes que venho plantando com muita paciência e muito zelo. Saborear essa colheita, saborear isso tudo, tem me manteúdo”, diz a atriz, radicada na França há oito anos.

Em Paris, o palco é o histórico Théâtre du Soleil, fundado em 1964 por Ariane Mnouchkine, um ícone do teatro gálico, hoje com 86 anos. “Devo muito à Ariane, que me acolheu, me deu esse lugar, e a Maurice Durozier [o diretor].”

A temporada em Paris será breve, somente até o dia 1º de fevereiro, mas deve ser estendida a palcos e cidades da França e de outros países francófonos nos próximos meses.

O teor da peça é quase idêntico ao da versão apresentada aos brasileiros, exceto por uma ou outra frase e, simples, pelo linguagem. O gálico quase sem sotaque com que Cândido se exprime esconde um trabalho tenaz.

Ela sabe que o público lugar é extremamente exigente. “Eu também sou muito exigente, mas o gálico entende que a personagem é uma ucraniana que cresceu no Brasil. Portanto simples que meu sotaque está presente, mas não faria sentido um gálico perfeito”, afirma.

Se o texto da peça é o mesmo, a versão visual que é feita dele varia mais, refletindo, para a atriz, a cultura de cada país. Ela compara o trabalho de Clarice a uma moeda com “um lado luminoso e um lado mais sombrio”.

“No Brasil todo mundo enxerga o lado luminoso dessa moeda. Portanto a montagem tem uma coisa diáfana, etérea, o figurino esvoaçante, alguma coisa muito luminoso, inclusive a luz do Caetano Vilela é quase um personagem. Na França, a Virginie Le Coënt vai fazer uma versão desse mesmo objeto, mas o lado visto é o mais sombrio”, afirma, referindo-se aos diretores de iluminação das montagens brasileira e francesa.

Cândido diz que tem novos convites para o cinema, mas prefere manter os detalhes em sigilo. Teriam a ver com o sucesso da peça ou do filme?

“As coisas se misturam, são propostas que eu tive no segundo semestre, não sei expor exatamente. Mas sem incerteza nenhuma o que está acontecendo com ‘O Agente Secreto’ potencializa a minha história com o cinema. A corroboração por segmento do público em todos os cantos do mundo é muito poderoso.”

Ballade au-dessus de l’abîme

Quando Qua. a sex., às 20h. Sáb. e dom., às 16h
Onde Théâtre du Soleil – 2 rte. du Champ de Manoeuvre, 75012, Paris
Preço € 20 (R$ 125)
Elenco Maria Fernanda Cândido e Sonia Rubinsky
Direção Maurice Durozier
Adaptação Catarina Brandão